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Diagnóstico

Como preparar a consulta de avaliação de TEA e organizar os documentos

Checklist do que levar (histórico, vídeos, relatórios da escola, exames), como guardar laudos e relatórios e o que pedir por escrito ao médico para não travar plano de saúde, escola e benefícios.

Por Equipe Jornada TEAAtualizado em 07/09/2026Fontes oficiais e revisão

Uma consulta de avaliação de transtorno do espectro autista (TEA) rende muito mais quando a família chega preparada. O médico precisa reconstruir a história do desenvolvimento, e a maior parte da informação está com vocês, não no consultório. Além disso, os documentos que saem dessa consulta (laudo, prescrição) serão usados por anos: no plano de saúde, na escola, na CIPTEA, no INSS.

Este guia é um checklist prático: o que levar, como organizar e o que pedir por escrito.

Antes da consulta: o que reunir

1. Histórico do desenvolvimento (por escrito)

Faça uma lista, em ordem cronológica, com datas aproximadas. Não precisa ser bonito; precisa ser completo.

  • Gestação e parto: intercorrências, prematuridade, internação.
  • Marcos: quando sustentou a cabeça, sentou, andou, primeiras palavras, primeiras frases. Se houve perda de habilidades (parou de falar, parou de olhar), anote quando.
  • Comunicação: aponta? Olha quando chamado pelo nome? Usa gestos? Repete frases (ecolalia)? Como pede o que quer?
  • Interação: interesse por outras crianças, brincadeira de faz de conta, resposta a sorrisos, contato visual.
  • Comportamentos repetitivos: movimentos com mãos ou corpo, alinhar objetos, interesses muito intensos, apego a rotinas.
  • Sensorial: reação a barulho, luz, texturas de roupa e comida, dor.
  • Sono e alimentação: como dorme, seletividade alimentar.
  • Saúde: convulsões, infecções de ouvido, alergias, medicamentos em uso.
  • Histórico familiar: TEA, TDAH, deficiência intelectual, epilepsia, transtornos psiquiátricos em parentes.
  • Quando começou a preocupação, quem levantou a suspeita e o que já foi feito.

2. Vídeos curtos

Grave em situações naturais, sem "montar cena": brincando sozinho, interagindo com irmão ou colega, na hora da refeição, em uma crise, falando ou tentando se comunicar. Vídeos de 30 segundos a 2 minutos bastam. Organize em uma pasta no celular com data.

3. Relatórios da escola ou creche

Peça por escrito à coordenação ou professora um relatório sobre interação, comunicação, comportamento, aprendizagem e o que já foi tentado. Escolas costumam ter modelo próprio. Se a escola não fornecer, anote você mesmo o que relataram verbalmente, com data.

4. Exames e avaliações anteriores

Leve tudo o que já existe: audiometria ou BERA (avaliação auditiva é frequentemente pedida para descartar perda auditiva), exames de imagem, exames genéticos, avaliações de fonoaudiologia, psicologia ou terapia ocupacional, laudos anteriores, caderneta de vacinação e de saúde da criança.

5. Dúvidas e objetivos

Escreva as 5 perguntas mais importantes para você. Na consulta, o tempo é curto e a ansiedade atrapalha.

6. Documentos pessoais

RG e CPF da pessoa avaliada e do responsável, carteirinha do plano, cartão SUS.

Durante a consulta

  • Se possível, vá com outro adulto que conheça a criança: um anota enquanto o outro conversa.
  • Responda com exemplos concretos ("ele empilha os carrinhos por cor e chora se alguém mexe") em vez de rótulos ("ele é organizado").
  • Pergunte o que vem depois: precisará de outras avaliações? Quem faz? Em quanto tempo volta?
  • Se o médico disser "vamos observar", pergunte por quanto tempo e o que observar. A Lei 12.764/2012 garante o direito ao diagnóstico precoce, ainda que não definitivo (art. 3º, III, "a"); esperar não pode significar ficar sem nenhuma orientação ou intervenção.

O que pedir por escrito ao final

Estes documentos são a base de tudo o que vem depois. Peça no mesmo dia, ou combine a data de entrega.

Laudo ou relatório médico

Deve conter, no mínimo: identificação da pessoa, descrição clínica, código CID, data, nome, assinatura e CRM do médico. Detalhes em Laudo médico para TEA: o que deve conter.

Prescrição das terapias com frequência e carga horária

Isso é o que mais falta nos documentos que as famílias recebem, e é o que o plano de saúde usa para autorizar (ou negar) sessões. Peça que o médico especifique, por exemplo: "psicologia (intervenção comportamental), 3 sessões semanais de 1 hora; fonoaudiologia, 2 sessões semanais; terapia ocupacional, 2 sessões semanais", com justificativa clínica e período estimado. Quanto mais específica a prescrição, menos margem para o plano reduzir. Nos planos regulados, a cobertura segue a prescrição do médico assistente (Lei 9.656/1998; Lei 14.454/2022).

Encaminhamentos

Pedidos de exames complementares, encaminhamento para outras especialidades e, se for o caso, para o CAPS ou CER.

Relatório para a escola

Um documento simples, em linguagem acessível, descrevendo necessidades de apoio e sugestões de adaptação. A escola precisa dele para organizar o atendimento educacional especializado e, se necessário, o profissional de apoio. Veja Escola.

Como guardar tudo (e não perder)

Monte uma pasta física e uma digital, com a mesma organização:

  1. Identificação: documentos pessoais, cartão SUS, carteirinha do plano, CIPTEA.
  2. Laudos e relatórios médicos, do mais recente para o mais antigo.
  3. Prescrições de terapias, com data.
  4. Relatórios de terapeutas (peça um a cada 3 ou 6 meses; são exigidos pelo plano e úteis na escola).
  5. Escola: relatórios, plano educacional individualizado, atas de reunião, e-mails.
  6. Plano de saúde: protocolos, autorizações, negativas por escrito, comprovantes de reembolso.
  7. Recibos e notas fiscais de terapias e consultas (imposto de renda e reembolso).
  8. Benefícios: protocolos do INSS, CIPTEA, passe livre, isenções.

Dicas:

  • Digitalize tudo no mesmo dia (foto legível ou scanner do celular) e salve na nuvem com nome padronizado: 2026-09-07_laudo_neuropediatra.pdf.
  • Nunca entregue o original sem ficar com cópia. Quando um órgão exigir original, leve e traga de volta, ou peça cópia autenticada.
  • Anote em um caderno ou planilha cada contato com plano, escola ou órgão: data, nome de quem atendeu, protocolo, o que foi dito.
  • Peça sempre negativas por escrito. Uma negativa verbal não serve para recorrer.

Erros comuns que atrasam tudo

  • Sair da consulta sem a prescrição detalhada de terapias.
  • Laudo sem CID ou sem CRM legível.
  • Deixar o laudo "vencer" segundo exigência de um órgão sem checar se a exigência tem base (veja o artigo sobre validade do laudo).
  • Perder recibos de terapias e deixar de deduzir no imposto de renda.
  • Aceitar redução de sessões pelo plano por telefone, sem documento.

Próximos passos

Perguntas frequentes

Preciso levar vídeos para a consulta?

Não é obrigatório, mas ajuda muito. Comportamentos que não aparecem no consultório (interação em casa, brincadeiras, crises, estereotipias, fala) podem ser mostrados em vídeos curtos, de 30 segundos a 2 minutos, gravados em situações naturais.

O que é mais importante pedir por escrito ao médico?

Duas coisas: o laudo com o código CID e a prescrição das terapias indicadas com frequência semanal e carga horária. Sem a prescrição detalhada, o plano de saúde tende a autorizar menos sessões do que o necessário.

Fontes

  1. Lei nº 12.764/2012 – Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Lei Berenice Piana) Planalto, acessado em 07/09/2026
  2. Lei nº 13.977/2020 – Lei Romeo Mion – Cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) Planalto, acessado em 07/09/2026
  3. Lei nº 9.656/1998 – Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde Planalto, acessado em 07/09/2026
  4. Lei nº 14.454/2022 – Altera a Lei dos Planos de Saúde para estabelecer critérios de cobertura fora do rol da ANS Planalto, acessado em 07/09/2026
  5. Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) Planalto, acessado em 07/09/2026
  6. Linha de Cuidado para a Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede de Atenção Psicossocial do SUS Ministério da Saúde, acessado em 07/09/2026

Aviso importante

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, psicológica ou jurídica. Procure um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento.

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